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11 de dezembro de 2010

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937).






Texto:
Maria do Carmo Nogueira da Gama

Nasceu em 11 de dezembro de 1910, na Rua Teodoro da Silva n°. 30, hoje n°. 392, em Vila Isabel. Era filho de Manuel Garcia de Medeiros Rosa e Martha Corrêa de Azevedo. Por parte de pai era neto de Manuel Garcia da Rosa e Belarmina de Medeiros e, por parte de mãe, de Eduardo Corrêa de Azevedo e Rita de Cássia Corrêa de Azevedo. Seu nascimento foi difícil, pesava quatro quilos. Os médicos, diante das dificuldades do parto, resolveram usar o fórceps. O menino foi extraído a ferro e traumatizado com fratura do maxilar inferior, originando o defeito que se acentuava à proporção que crescia. Várias foram as tentativas de correção, sem sucesso.


Noel crescia frágil e mirrado. Amava a rua, a confusão dos amigos, as pipas, os piões e os balões. Era, também, artista de estribo de bonde. Menino alegre e de gênio bom. Os saraus em sua casa eram constantes. Sua mãe tocava bandolim; seu pai, violão; sua madrinha, piano; sua tia, violino. As crianças participavam, ouvindo. Foi dona Martha quem iniciou Noel na música ensinando-lhe a tocar bandolim, entretanto, ele sentia-se fascinado por qualquer instrumento, qualquer música e qualquer dança. Seu grande e único sonho era a música.

Noel, aos quatorze anos, já abusava do cigarro, da cerveja, e dos balaústres de bonde onde externava sua malícia, seu deboche, suas graças imaginativas e obscenas.

Tocava violão como ninguém. Amava, cada vez mais, a música e a poesia.

Era ex-aluno do Colégio São Bento e chegou a frequentar o 1°. ano da Faculdade de Medicina.

Fazia ponto no Café Vila Isabel, do Carvalho, local onde fez grande parte de suas composições, nas madrugadas. Era ali que o encontravam ou deixavam recados para que fizesse serestas e serenatas.

Noel Rosa começa a aparecer com o "Bando de Tangarás" do qual era um dos componentes. Sua primeira aparição em público foi a 27 de junho de 1929, no Tijuca Tênis Clube. Tinha, nessa época, apenas 18 anos.

Ainda em 1929, foi lançado no teatro, como compositor, por Eratóstenes Frazão que era jornalista, ator teatral e compositor. Noel já estava com 29 músicas compostas, inclusive "Com Que Roupa?" cuja melodia foi modificada por Homero Dornellas e a letra melhorada por Nássara, seu grande amigo. "Com Que Roupa?" retratava o Brasil da época, cheio de dificuldades, com o povo quase na miséria. Segundo Noel, o "Brasil de Tanga". O samba explode em todo o país no carnaval de 1930 e aparece na boca do povo, surpreendendo até seu autor. A expressão - com que roupa? - passou a fazer parte do vocabulário do carioca, nas dificuldades. Aconteceu que, antes mesmo do sucesso o cantor Ignácio Guimarães ofereceu a Noel a importância de l80 mil réis pela aquisição da música, o que foi aceito. Dessa forma, o cantor tornou-se dono do samba mais cantado no Brasil. A partir do "Com Que Roupa?", Noel compôs sem limite. Bastava surgir um tema para que nascesse uma letra de música.

Noel tinha suas esquisitices, uma delas era não gostar de andar em grupo, motivo pelo qual se afastava, quanto podia, do "Bando dos Tangarás". Queria ser independente.

A
época era favorável à música nordestina por isso todos a cantavam, inclusive os "Tangarás" e Noel Rosa.

Apresentou-se com Renato Murce, fazendo uma embolada que recebeu o nome de "Perna Bamba" mas verificam que sua vocação não estava nesse tipo de música. Era carioca, portanto, do samba.

O carnaval, em Vila Isabel, era um dos melhores do Rio de Janeiro. O bairro além das Batalhas de Confete competia com blocos de outros bairros em desfiles com premiações. Vila Isabel possuía dois blocos: o Cara de Vaca, formado pela turma da Rua Souza Franco / Torres Homem; e o Faz Vergonha, formado pela turma da Rua Maxwell, próximo à Fábrica Confiança, do qual Noel fazia parte. Dizem que o nome do bloco originou-se do comportamento de Noel Rosa que estava sempre com brincadeiras, fazendo vergonha.

Em Vila Isabel nasceu o bloco dos Vassourinhas *(vide errata abaixo), bloco de frevo, dirigido pelo sr. Luís Alves.

Da Rua Petrocochino saía o bloco de Reis.

Noel começa a emagrecer e demonstrar cansaço. Dona Martha observa o filho e se preocupa, mas não consegue tirá-lo da rua nas madrugadas.

Dr. Edgard Graça Mello, médico da família, é chamado e detecta a doença: estava com lesão no pulmão direito e já começando no esquerdo.

Noel amava as mulheres. Seus grandes amores foram, Clara Corrêa Netto, Fina (Josefina Telles Nunes) e Ceci (Juraci Correia de Morais) por quem se apaixonou, verdadeiramente. Casou-se, entretanto, com Lindaura, uma sergipana que morava na Rua Maxwell, 74 casa 2, no dia 1°. de dezembro de 1934.

Foi nos braços de Lindaura que Noel Rosa faleceu em 4 de maio de 1937, na mesma casa onde nasceu, aos 27 anos.

*Errata
Correção segundo a senhora Claudete Umbelino de Oliveira: O nome do bloco era Lenhadores. (18 de março de 2008).

http://musicabrasileira.org/noelrosa/

Conversa de Botequim (Noel Rosa, Vadico e Francisco Alves)


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Conversa de botequim

(Noel Rosa, Vadico e Francisco Alves)

Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada

Fecha a porta da direita com muito cuidado
Que não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol

Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão uma caneta, um tinteiro
Um envelope e um cartão

Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos
Vá dizer ao charuteiro que me empreste umas revistas
Um isqueiro e um cinzeiro

Telefone ao menos uma vez para 34-4333
E ordene ao Seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório

Seu garçom, me empreste algum dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure essa despesa no cabide ali em frente

4 de maio de 2010

Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de maio de 1937)






Sambista, cantor, compositor, bandolinista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil. Teve contribuição fundamental na legitimação do samba de morro no "asfalto", ou seja, entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época - fato de grande importância, não só o samba, mas a história da música popular brasileira.

Noel nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula que o marcou por toda a vida. Criado no bairro carioca de Vila Isabel, filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento.

Adolescente, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música - e pela atenção que ela lhe proporcionava. Logo, passou ao violão e cedo tornou-se figura conhecida da boemia carioca. Entrou para a Faculdade de Medicina, mas logo o projeto de estudar mostrou-se pouco atraente diante da vida de artista, em meio ao samba e noitadas regadas à cerveja. Noel foi integrante de vários grupos musicais, entre eles o Bando de Tangarás, ao lado de João de Barro (o Braguinha), Almirante, Alvinho e Henrique Brito.

Em 1929, Noel arriscou as suas primeiras composições, "Minha Viola" e "Toada do Céu", ambas gravadas por ele mesmo. Mas foi em 1930 que o sucesso chegou, com o lançamento de "Com que roupa?", um samba bem-humorado que sobreviveu décadas e hoje é um clássico do cancioneiro brasileiro. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequência de canções que primam pelo humor e pela veia crítica. Orestes Barbosa, exímio poeta da canção, seu parceiro em "Positivismo", o considerava o "rei das letras". Noel também foi protagonista de uma curiosa polêmica travada através de canções com seu rival Wilson Batista. Os dois compositores atacaram-se mutuamente em sambas agressivos e bem-humorados, que renderam bons frutos para a música brasileira, incluindo clássicos de Noel como "Feitiço da Vila" e "Palpite Infeliz". Entre os intérpretes que passaram a cantar seus sambas, destacam-se Mário Reis, Francisco Alves e Aracy de Almeida.

Noel teve ao mesmo tempo algumas namoradas. Casou-se em 1934 com Lindaura, mas era apaixonado mesmo por Ceci, a dama do cabaré. Passou os anos seguintes travando uma batalha contra a tuberculose. A boêmia, porém, nunca deixou de ser um atrativo irresistível para o artista, que entre viagens para cidades mais altas em função do clima mais puro, sempre voltava para o samba, a bebida e o cigarro. Mudou-se para Belo Horizonte, trabalhou na Rádio Mineira e entrou em contato com compositores amigos da noite, como Rômulo Pais, recaindo sempre na boêmia. De volta ao Rio, jurou estar curado. Faleceu em sua casa no bairro de Vila Isabel no ano de 1937, aos 26 anos, em consequência da doença que o perseguia desde sempre.


http://pt.wikipedia.org/wiki/Noel_de_Medeiros_Rosa