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18 de março de 2011

Stéphane Mallarmé, (Paris, 18 de Março de 1842 - Valvins, comuna de Vulaines-sur-Seine, Seine-et-Marne, 9 de Setembro de 1898).






Autor de uma obra poética ambiciosa e difícil, Mallarmé promoveu uma renovação da poesia na segunda metade do século XIX, e sua influência ainda é sentida nos poetas contemporâneos como Yves Bonnefoy.

Mallarmé começou a publicar seus poemas na revista O Parnaso Contemporâneo (Le Parnasse contemporain), editada na capital francesa na década de 1860, quando ele se mudou para o interior da França com o objetivo de ensinar inglês nas escolas da região. Dos 21 aos 28 anos o poeta viveu com a família em três cidades: Tournon, Besançon (terra de Victor Hugo) e Avignon.

Anos depois, Mallarmé conheceria os poetas Rimbaud e Paul Verlaine.

Entre setembro e dezembro de 1874, Mallarmé dirigiu e escreveu La Dernière Mode. Gazette du Monde et de la Famille, uma revista feminina. Sob os pseudônimos de Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy ou Olympe la négresse, entre autros, escrevia sobre moda, culinária e educação de crianças.

Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pode resultar em um texto às vezes obscuro. Seus poemas mais conhecidos são L'après-midi d'un faune (1876), que inspirou Prélude à l'après-midi d'un Faune,do compositor Claude Debussy, e Herodias (1869). Outras obras importantes de Mallarmé são a antologia Verso e prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897).

Mallarmé destacou-se por uma literatura que se mostra ao mesmo tempo lúcida e obscura. É por isso considerado um poeta difícil e hermético. Nas famosas tertúlias literárias, em sua casa, em Paris, rue de Rome, reunia-se a elite intelectual da época para sessões de leitura e conversas sobre arte e literatura. Entre os convidados, André Gide e Oscar Wilde. Seus comentários críticos sobre literatura, arte e música estimularam enormemente os escritores simbolistas franceses, assim como aos artistas e compositores da escola impressionista, que ao final do século XIX desenvolveram uma arte espontânea em oposição ao formalismo da composição.

Um jogo de dados (Un coup de dés) (1897) é um longo poema de versos livres e tipografia revolucionária que constitui a declaração trágica da impossibilidade de atingir o estabelecido no livro.

Também escreveu penetrantes artigos sobre a moda feminina de seu tempo.

Mallarmé desempenhou um papel fundamental na evolução da literatura no século XX, especialmente nas tendências futuristas e dadaístas. Está entre os precursores da poesia concreta, ao lado de Guillaume Apollinaire (1880-1918) e do escritor americano Ezra Pound (1885-1972).

Stéphane Mallarmé morreu em 1898, em Paris, sem ter chegado a concluir a grande obra de sua vida. A Grande Obra, com letra maiúscula, é um projeto que ele revela em cartas a amigos. Mallarmé pretende atribuir ao poeta a missão de escrever a obra que, por ser a explicação órfica da terra, submeterá ao domínio do espírito humano o acaso, símbolo da imperfeição desse espírito. Três anos antes de sua morte, ele escreve ainda um poema falando deste sonho de constituir uma Grande Obra, no sentido quase que alquímico da palavra - um livro em vários volumes que totalizasse o mistério órfico da terra.

Mallarmé morreu angustiado, sem atingir seu objetivo, mas deixou admiradores em todo o mundo e suas obras continuam a ser reeditadas, mais de 100 anos após a sua morte. A Grande Obra, para ele, seria um livro com a estrutura de uma obra arquitetônica, ligada numa espécie de sintonia com o universo. Não significava reunir todos os seus escritos, mas escrever uma nova obra, o que, para a sua grande frustração, morreu sem realizar.

Um dia antes de morrer, Mallarmé pressentiu a chegada da morte. Pediu à mulher Marie e à filha Geneviève que queimassem boa parte de seus escritos, como fizeram Franz Kafka e o poeta Virgílio. Ele morreu asfixiado no dia seguinte.

http://pt.wikipedia.org/wiki/St%C3%A9phane_Mallarm%C3%A9

Imagens:

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:St%C3%A9phane_Mallarm%C3%A9


BRINDE

Tradução: Augusto de Campos

Nada, esta espuma, virgem verso
A não designar mais que a copa;
Ao longe se afoga uma tropa
De sereias vária ao inverso.

Navegamos, ó meus fraternos
Amigos, eu já sobre a popa
Vós a proa em pompa que topa
A onda de raios e de invernos;

Uma embriaguez me faz arauto,
Sem medo ao jogo do mar alto,
Para erguer, de pé, este brinde

Solitude, recife, estrela
A não importa o que há no fim de
Um branco afã de nossa vela.

30 de outubro de 2010

Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry (Sète, 30 de outubro de 1871 — Paris, 20 de julho de 1945).


"Se soubéssemos, não falaríamos nem tampouco pensaríamos". O elogio ao silêncio absoluto é bastante significativo, quando vem de um artista da palavra como Valéry.

Paul Valéry foi um misto de pensador e de poeta. Inseriu-se na linhagem de escritores transgressivos que tinham como expoentes Edgar Allan Poe e Stéphane Mallarmé.

Sua obra poética é considerada como uma das mais importantes da poesia francesa do século 20. Sua obra ensaística é a de um homem tolerante que depreciava as idéias irracionais e acreditava na superioridade moral e prática do trabalho. Recusava a metafísica e os sistemas filosóficos. Recusava aos historiadores, qualquer poder de ensinamento e de previsão, já que suas lições eram ultrapassadas pelos acontecimentos.

Rigoroso, Valéry se empenhou na busca de um método destinado a fazer da criação poética uma obra de precisão. O lirismo para ele não ia além do "desenvolvimento de uma exclamação".

Paul Valery estudou direito em Montpellier, onde publicou suas primeiras poesias: "Sonho"(1889) "Elevação da lua" (1889), "A marcha imperial" e "Narciso fala". Sua amizade com Pierre Louis lhe abriu as portas literárias de Paris, onde conheceu André Gide e Mallarmé (1891), com quem teria uma grande amizade.

Seu amor não correspondido por Madame Rovira precipitou uma crise que o levou em 1892 a renunciar à poesia e a consagrar-se ao culto exclusivo da razão e inteligência. Em 1894 se instalou em Paris e no ano seguinte publicou ensaios filosóficos: "Introdução ao método de Leonardo da Vinci" e "Monsieur Teste", este último foi uma série de dez fragmentos onde expõe o poder da mente voltada à observação e dedução dos fenômenos.

Trabalhou como funcionário do Ministério da Guerra (1895) foi secretário particular de Édouard Lebey (1900-1920), um dos editores da agência Havas. Obteve grande notoriedade com a publicação do poema "A Jovem Parca" (1917) e dos volumes de versos "Álbum de Versos antigos (1920) e "Charmes" (1922) que inclui seu poema "O Cemitério Marinho" considerado o protótipo da "poesia pura" de Valery.

Em 1925 ingressou na Academia Francesa. Suas obras seguintes foram diálogos em prosa: "Eupalinos ou o Arquiteto" (1923) e "A Alma e a Dança" (1923). Posteriormente publicou uma recopilação de ensaios e conferências ("Variedades", 5 volumes, 1924-44) e uma série de obras como "Rumbas" (1926), "Analetos" (1927), "Literatura" (1929), "Consideração sobre o Mundo Atual" (1931) "Maus Pensamentos e Outros" (1941) e "Tal Qual" (1941-43). Foi também professor de poética e escreveu balés para teatro como "Semiramis" (1934).

O livro "Degas Dança Desenho", publicado em 1936, aproxima literatura e artes plásticas e traça um perfil valioso de Edgar Degas (1834-1917). Valéry mistura reminiscências pessoais de caráter anedótico com análises críticas das questões estéticas levantadas pelo pintor e escultor.

http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u512.jhtm?action=print


AS ROMÃS
Paul Valéry
Duras romãs entreabertas
Pelo excesso dos grãos de ouro,
Eu vejo reis, todo um tesouro
Nascer de suas descobertas!

Se os sóis de onde ressurgis,
Ó romãs de entrevista tez,
Vos fazem, prenhes de altivez,
Romper os claustros de rubis,

E se o ouro sece cede enfim
Ante a demanda ainda mais dura
E explode em gemas de carmim,

Essa luminosa ruptura
Faz sonhar uma alma que há em mim
De sua secreta arquitetura.

(tradução: Augusto de Campos)

24 de agosto de 2010

Paulo Leminski Filho (Curitiba, 24 de agosto de 1944 — Curitiba, 7 de junho de 1989).






"A poesia era uma resposta, 22 a devolveu a seu estado de pergunta: que é poesia? E, que consiste esse anômalo ato de palavra, regido por tantas lógicas musicais, lógicas não lógicas, essa área de discurso onde toda a loucura e desvario se permite? Onde o sentido?"
-Fonte: Ensaios e anseios crípticos

"A maldição de pensar fez suas vítimas: em minha geração, vi muitos poetas se transformarem em críticos, teóricos, professores de literatura."
-Fonte: Ensaios e anseios crípticos

"Aqui dentro, duas obsessões me perseguem (que eu saiba): a fixação doentia na idéia de inovação e a (não menos doentia) angústia à comunicação, como se percebe logo, duas tendências irreconciliáveis."
-Fonte: Ensaios e anseios crípticos

"Me diverte pensar que, em vários momentos, estou brigando comigo mesmo."
-Fonte: Ensaios e anseios crípticos

"Quando eu vi você/ tive uma idéia brilhante/ foi como se eu olhasse/ de dentro de um diamante/ e meu olho ganhasse/ mil faces num só instante."
-Fonte: Revista Caras, Edição 665

"Tudo dança hospedado numa casa em mudança."
- "Melhores poemas" - página 196, Por Paulo Leminski, Fred de Góes, Alvaro Marins, Publicado por Global Editora, 1996 ISBN 8526005251, 9788526005259, 213 páginas

"Distraídos venceremos"
- título de livro de poemas: "Distraídos venceremos", de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense, 1987 - 133 páginas

"Minha alma breve, breve
o elemento mais leve
na tabela de mendeleiev"
- "La vie en close", de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense, 1991 ISBN 8511181725, 9788511181722 - 181 páginas, Página 177

"Tudo é vago e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso"
- "La vie en close", de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense, 1991 ISBN 8511181725, 9788511181722 - 181 páginas, Página 64

"Nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez"
- "La vie en close", de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense, 1991 ISBN 8511181725, 9788511181722 - 181 páginas, Página 46

"Tudo dito,
nada feito,
fito e deito"
- Melhores poemas - Página 162, de Paulo Leminski, Fred de Góes, Alvaro Marins - Publicado por Global Editora, 1997, ISBN 8526005278, 9788526005273 - 213 páginas

"Ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide de seus problemas
que eu cuido dos meus"
- "Distraídos venceremos", de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense, 1987 - 133 páginas, Página 54

"No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto"
- Distraídos venceremos - ‎Página 44, de Paulo Leminski - Publicado por Editora Brasiliense,1987 - 133 páginas

Catatau - Paulo Leminski




13 de junho de 2010

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935)











TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Álvaro de Campos
Tabacaria


"O autor destas linhas [...] nunca teve uma só personalidade, nem pensou nunca, nem sentiu, senão dramaticamente, isto é, numa pessoa, a personalidade, suposta, que mais propriamente do que ele próprio pudesse ter esses sentimentos".
- Obras em prosa - página 82; Volume 11 de Biblioteca luso-brasileira, Biblioteca Luso-Brasileira. Série portuguêsa, Fernando Pessoa, editor Cleonice Berardinelli, Companhia José Aguilar Editôra, 1974, 722 páginas


"Eu não sei o que o amanhã trará."
É a última frase escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").

"Não me venham com conclusões! A única conclusão é morrer."
- Poesia‎ - Página 82, de Fernando Pessoa, Adolfo Casais Monteiro - Publicado por AGIR, 1968 - 123 páginas


"Estética da Abdicação
Conformar-se é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidades de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue." (Fernando Pessoa)

"Liberdade Ai, que prazer / Não cumprir um dever.(...)"
(Fernando Pessoa)


20 de abril de 2010

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sapé, 20 de abril de 1884 — Leopoldina, 12 de novembro de 1914)


VANDALISMO

Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Com os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos.

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

9 de abril de 2010

Charles-Pierre Baudelaire (Paris, 9 de Abril de 1821 — Paris, 31 de Agosto de 1867






"A Admiração começa onde acaba a compreensão".
- L'admiration commence souvent où finit la compréhension-
Charles Baudelaire citado em "Au soir le soir: théâtre 1960-1970‎" - Página 72, Bertrand Poirot-Delpech - Mercure de France, 1969 - 292 páginas

"A música perfura o céu."
- La Musique creuse le ciel-
citado em "The cult of beauty in Charles Baudelaire, Volumes 1-2" -
Página 39, Solomon Alhadef Rhodes -
Institute of French studies, Columbia university, 1929

"O amor é um crime que não se pode realizar sem cúmplice."
- Ce qu'il ya d'ennuyeux dans l'amour, c'est que c 'est un crime où l'on ne peut se passer d'un complice-
Œuvres complètes‎ - Página 634, Charles Baudelaire, Marcel A. Ruff -
Éditions du Seuil, 1968 - 760 páginas

"Aos olhos da saudade, ah, como é pequeno o mundo"
- Aux yeux du souvenir que le monde est petit !-
Le Voyage (Baudelaire)

"É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se."
- Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.-
Petits poèmes en prose (le spleen de Paris)‎ -
Página 63, Charles Baudelaire, Melvin Zimmerman -
Manchester University Press ND, 1968, ISBN 0719002982, 9780719002984 - 196 páginas

“Ora um mar de neblina banhava os edifícios, e os agonizantes no fundo dos hospitais.”-
Une mer de brouillards baignait les édifices, Et les agonisants dans le fond des hospices-
Oeuvres complètes de Charles Baudelaire ...‎ -
Volume 1, Página 180, Charles Baudelaire - L. Conard, 1953


Poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX. Nasceu em Paris a 9 de abril de 1821. Estudou no Colégio Real de Lyon e Colégio Louis-Le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega). Em 1840 foi enviado pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada, à Índia, mas nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Atingindo a maioridade, ganha posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia de Jeanne Duval. Em 1844 sua mãe entra na justiça, acusando-o de pródigo, e então sua fortuna torna-se controlada por um notário. Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 100 poemas. O livro é acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são presos, o escritor paga 300 francos e a editora 100, de multa. Essa censura se deveu a apenas seis poemas do livro. Baudelaire aceita a sentença e escreveu seis novos poemas "mais belos que os suprimidos", segundo ele.

Mesmo depois disso, Baudelaire tenta ingressar na Academia Francesa. Há divergência, entre os estudiosos, sobre a principal razão pela qual Baudelaire tentou isso. Uns dizem que foi para se reabilitar aos olhos da mãe (que dessa forma lhe daria mais dinheiro), e outros dizem que ele queria se reabilitar com o público em geral, que via suas obras com maus olhos em função das duras críticas que ele recebia da burguesia.

Morre em 1867, em Paris, e seu corpo está sepultado no Cemitério do Montparnasse, em Paris.

Texto:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Baudelaire


9 de novembro de 2009

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944 — Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972)











A Virtude

a) A virtude é a mãe do vício
conforme se sabe;
acabe logo comigo
ou se acabe.

b) A virtude e o próprio vício
- conforme se sabe -
estão no fim, no início
da chave.

c) Chuvas da virtude, o vício,
conforme se sabe;
é nela própriamente que eu me ligo,
nem disco nem filme:
nada, amizade. Chuvas de virtude:
chaves.

d) (amar-te/ a morte/ morrer:
há urubús no telhado e carne seca
é servida: um escorpião encravado
na sua própria ferida, não escapa: só escapo
pela porta de saída).

e) A virtude, a mãe do vício
como eu tenho vinte dedos,
ainda, e ainda é cedo:
você olha nos meus olhos
mas não vê nada, se lembra?

f) A virtude
mais o vício: início da
MINHA
transa, início, fácil, termino:
"como dois mais dois são cinco"
como Deus é precipício,
durma,
e nem com Deus no hospício
(durma) nem o hospício
é refúgio. Fuja.


em "Os Últimos Dias de Paupéria"
Org. Wally Salomão e Ana Maria S. de Araújo Duarte
Ed. Max Limonad, 1982.

20 de outubro de 2009

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (20 de outubro de 1854, Charleville - 10 de novembro de 1891, Marselha) foi um poeta francês.


Minha boemia

Arthur Rimbaud

Tradução de Jorge Wanderley

Eu caminhava, as mãos nos bolsos desgastados;
Também meu paletó fazia-se ideal;
Ia sob o céu, Musa! e era o amante leal!
Ah, que esplêndido amor o que então foi sonhado!

Meus únicos calções tinham um grande furo.
- Pequeno Polegar que entre rimas discursa,
Via minha taverna às margens da Grande-Ursa.
E os astros - todos meus - sussurravam no escuro!

Sentado eu escutava, à beira dos caminhos,
As meigas noites de setembro; e tinha o vinho
Do orvalho sobre a fronte - ó tônico perfeito!

E ali rimas tecia entre vultos fantásticos,
Com a minha lira - meu sapato e seus elásticos
Que eu fazia vibrar, tendo um pé contra o peito!

Fonte:
http://www.nossacasa.net/literatura/default.asp