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9 de abril de 2012

O Segredo da Luz - Raul Seixas



Segredo da Luz
(Raul Seixas)

Os olhos verdes que piscam no escuro do céu
Filho da luz, fui nascido da lua e do sol!
Nas noites mais negras do ano eu mostro minha voz;
Estrelas, estrelas
As estrelas elas brilham como eu!

As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz
0 ódio não é o real é a ausência do amor
No fim é um grande oceano, mãe, mãe filho e luz...
Estrelas, estrelas
As estrelas elas brilham com nós!

As trevas da noite assustam escondendo o segredo da luz!
Da luz que gargalha do medo do escuro
Que é quando os meus olhos não podem enxergar!

Dia , noite,
Se é dia sou dono do mundo e me sinto filho do sol
Se é noite eu me entrego às estrelas em busca de um farol
Estrelas, estrelas,

As estrelas elas brilham como eu.
As trevas da noite...

28 de outubro de 2010

28 de outubro de 1968 - O programa Divino, Maravilhoso estréia na TV Tupi.


Baianos na TV: "Divino, Maravilhoso"
Folha de São Paulo - 30 de outubro de 1968

Um ano após o estouro de Alegria, Alegria e Domingo no Parque, um ano após a sacudidela na música popular brasileira, de que resultaram novas concepções, novos caminhos, somente um ano depois de discutidos, condenados e elogiados, Caetano Veloso e Gilberto Gil conseguem um programa na televisão. Só anteontem em “Divino, Maravilhoso”, na TV Tupi, o público telespectador, ou a massa média, começa a apreciar mais extensamente a estética nova que os baianos se propõem e propõem comunicar. Só agora, com programa regular, sistemático, Caetano e Gil têm oportunidade de testar o seu novo comportamento musical. Da aceitação popular ou não, da deglutição ou não, do consumo ou não, já que eles estão na faixa do “produssumo” - produzir para o consumo, no neologismo criado por Décio Pignatari - depende a sobrevivência do grupo e a validez de suas teses, ou de sua revolução.

Um novo conceito estético, radicalmente desvinculado do passado (“Isso que anda por aí está tudo velho”, disse Caetano) e, integralmente integrado no presente - não no futuro - é o que pretendem os baianos e foi o que procuraram mostrar anteontem na estréia de “Divino, Maravilhoso”.

O programa é produzido por Fernando Faro e Antonio Abujamra e tem o próprio Cassiano Gabus Mendes, diretor da estação, trabalhando no corte de imagens. Irá para o ar toda segunda-feira, às 21h30, até dezembro, quando termina o contrato dos artistas com a Tupi. Ou por muito tempo ainda, se tudo der certo, ou melhor, se as novas estruturas, ou as novas anti-estruturas passarem a ser consumidas.

Do primeiro “Divino, Maravilhoso” participaram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Bem, Os Mutantes, Gal Costa e o conjunto Os Bichos. Quem ficou em casa para ver mais um programa de televisão, enganou-se e, diante do engano, ou aplaudiu com entusiasmo ou vaiou com ódio. Indiferente ao que acontecia no palco, todo decorado com quadros pop de um pintor japonês, é que não se ficou.

No começo aparece Caetano, de blusa militar aberta sobre o torso nu e o cabelo penteado. Senta-se num banquinho, em estilo ioga, e começa a cantar Saudosismo, sua nova música, toda nos moldes da bossa nova original, bem Tom Jobim, bem João Gilberto. Mas a música é para proclamar um Chega de Saudade e Caetano assanhar o cabelo e Os Mutantes entrarem em cena e começarem todos freneticamente, amalucadamente, a fazerem o “som livre”. No auge da improvisação, com guitarras, gritos e movimentos de quadris, Caetano diz que vieram mostrar o que estão fazendo e como estão fazendo. E o programa daí para o fim é o mau comportamento total, caótico nos sons e gestos, alucinação. Desfilam as novas músicas: Falência das Elites, Miserere Nobis, Baby, É Proibido Proibir, Caminhante Noturno, Panis et Circencis, etc. Cada qual se transforma num happening, num pretexto para extravagância, “loucuras”.

Para que Gil cante A Falência das Elites entram em cena várias latas velhas e é aquele baticum. Caetano deita-se no chão, rola-se como num estertor, vira as pernas para cima, de repente levanta-se e entra no ritmo alucinante, revirando os quadris, em gestos tão ousados que às vezes o próprio Cassiano não tem coragem de captar. O público, que lota o teatro do Sumaré, meio inibido no início, começa a aplaudir, Caetano fica satisfeito com a reação, mas depois diz que gostaria de mais participação, mais vibração. Nos próximos eles esperam, a coisa irá esquentar, por enquanto foi só o início.

No final do programa, em meio a um improviso em que todos entram, Caetano grita a palavra de ordem, “Acabar com o velho!” e dá um viva a Rogério Duprat, que está sentado na platéia.

É um programa quente, movimentado, tropical, imaginativo, diante do qual ou se tem amor ou ódio e que, por isso mesmo, vai dividir muito a opinião pública. Se pegar, como tudo indica, poderá ser para a música nova, o “som livre”, o mesmo que foi “O Fino da Bossa” para o tipo de música de que os baianos agora querem distância.

http://tropicalia.uol.com.br/site/internas/report_baianos.php/

27 de julho de 2010

Estalactites & Estalagmites

A Idéia

Augusto dos Anjos

De onde ela vem? De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!











(es.ta.lac.ti.te)

sf.

1. Min. Estrutura pontiaguda no teto de cavernas, formada a partir da acumulação de sedimentos minerais dissolvidos na água.

[F.: estalact- + - ite2. Cf.: estalagmite.]





(es.ta.lag.mi.te)

sf.

1. Min. Estrutura pontiaguda no chão de cavernas, formada pela acumulação de sedimentos minerais contidos em pingos d'água que caem do teto.

[F.: Do fr. stalagmite, der. do gr. stalagmós. Cf.: estalactite.]


http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=estalagmite

Imagens:

http://commons.wikimedia.org/wiki/Stalactite

http://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Stalagmite

11 de janeiro de 2010

Albert Hofmann (Baden, Suíça, 11 de Janeiro de 1906 — Burg im Leimental, Suíça, 29 de Abril de 2008)






Cientista suíço, e mais bem conhecido como o "pai" do LSD.

Quando estava a trabalhar na síntese dos derivados do ácido lisérgico, uma substância que impede o sangramento excessivo após o parto, descobriu acidentalmente os efeitos do LSD quando um traço da substãncia foi absorvido pela pele, de forma não intencional, um pouco desta substância e se viu obrigado a interromper o seu trabalho devido aos sintomas alucinatórios que estava a sentir. Inicialmente, foi utilizado como recurso psicoterapêutico e para tratamento de alcoolismo e disfunções sexuais.

Hofmann, depois da popularização da droga para fins não medicinais, passou a se referir ao LSD como o seu filho problemático.


"Eu produzi a substância como um remédio. Não é minha culpa se as pessoas abusavam dele."
— Albert Hofmann

Albert Hofmann morreu de ataque do coração em 29 de abril de 2008 na cidade de Burg im Leimental, próximo de Basiléia, Suíça. Ele tinha 102 anos.

Texto extraído de:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Albert_Hofmann